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Agricultor De 103 anos vive em Não-Me-Toque

Agricultor De 103 anos vive em Não-Me-Toque
E é nesta casa que a família continua se reunindo. Ao redor da mesa farta ou de uma roda de conversa, todas as gerações demonstram afeto, respeito e interesse na história de vida de Oscar Fires
06.09.2018 17h48  /  Postado por: upside

Não-Me-Toque é a Capital Nacional da Agricultura de Precisão, mas também pode ser conhecida como terra da longevidade.

Aqui, a expectativa de vida passa dos 75 anos. É comum festejar 80 anos de idade, Bodas de Ouro e até Bodas de Diamante. Também é possível viver mais de 100 anos

É na localidade de Arroio Bonito que vive Oscar Fries, 103 anos de idade. Até pouco tempo atrás, ele ainda desempenhava tarefas com prazer. Foi o trabalho, a alegria de viver e a família unida que o motivaram a escrever sua trajetória.

Oscar Fries nasceu em Picada Café (9 de março de 1915), mudou-se para Não-Me-Toque com a família ais 14 anos. Trabalho nunca faltou. Trabalhou numa serraria, numa tafona, na lavoura, com criação de suínos, vaca de leite e galinha. Andou muito a pé, a cavalo ou de bicicleta até adquirir o primeiro veículo.

Sempre foi alegre e brincalhão. Sua esposa Camila foi a primeira namorada. Casaram-se quando ele tinha 20 nos, em 1932. Adquiriram a propriedade de seu avô oito meses depois de casados, onde reside até hoje.

Foi um tempo de árduo trabalho, mas que deu bons frutos. Oito anos depois adquiriu mais uma área, coberta de mato, que precisou ser desbravada para receber o plantio.

Primeiro plantavam mandioca e milho para engordar suínos, que para serem vendidos precisavam ser levados andando por uma trilha até a estrada onde vinha o caminhão para carregar.

Também plantavam tudo que precisavam para alimentar a família, além criar dos animais para fornecer leite, ovos e carne.

Tiveram 7 filhos: Édio, Egon, Dulci, Osmar (in memorian), Oldemar, Paulo e Jorge. Todos moraram na propriedade quando se casaram. Oscar e Camila ajudaram a todos adquirir sua própria área de terras.

Em 1946 adquiriu uma tafona, na Linha Mantiqueira, onde produziam farinha de mandioca. O negócio ia bem, mas não era fácil chegar com a matéria prima até o local. Não havia boas estradas, nem veículos.

Em maio de 1949, quando levava a carroça cheia de ramas de mandioca para a tafona, num solavanco da carroça, Oscar foi jogado em frente a uma roda. Foram os vizinhos, Osvaldo Cassel e Bruno Cressin, que perseguiram a carroça a cavalo e seguraram a junta de bois fazendo com que parassem. Foi levado ao hospital com o corpo esfolado.

1963 compraram uma caminhoneta F100. O primeiro carro da família. Foi uma surpresa que se Oscar fez para a família, em 1974. A colheitadeira foi quase uma imposição do filho mais velho, Édio Fries, em 1979, não dava mais para arriscar perder a produção para o clima.

As comemorações de aniversário sempre foram uma grande festa de família. Seu Oscar e Dona Camila comemorado até 75 anos de união. Sua companheira de trabalho e de alegrias o deixou quase um ano depois. Juntos desfrutaram da alegria das festas de comunidade, dos bailes onde sempre puxavam a dança da polonese.

A família é muito unida e como todos gostam de futebol, criaram um time em que participam desde os filhos até bisnetos. Seu Oscar não perdeu um jogo.

Para seu orgulho, a propriedade ainda mantém praticamente todas as atividades da sua origem: suíno, leite, lavoura de soja, milho e trigo.

O pilar da Família Fries foi sempre atuante na sociedade, clubes, corais, escola e cooperativa. Membro da Comunidade Evangélica de Arroio Bonito, foi um dos idealizadores da construção de um pavilhão para as duas comunidades. Junto com o filho Édio, são sócios do Clube de Bolão de Arroio Bonito, o mais antigo do município que já completou 100 anos.

Em 2012 foi levado pelos filhos para visitar sua terra natal, inclusive a casa onde moraram, lembrando da infância. Ficaram impressionados de encontrar a escola preservada, a igreja e muitos prédios da cidade.

Manteve-se firme e lúcido até os 100 anos, quando ajudou a relembrar os fatos que resultaram no documentário elaborado pelos netos e apresentado na festa organizada pela comunidade de Arroio Bonito.

Sua receita de vitalidade e foça é: todos os dias toma uma taça de cachaça de alambique, um copo de vinho no almoço e uma Brahma ao entardecer.

Pode ser uma de suas brincadeiras, mas com certeza o estilo de vida que levou ajudou para que vivesse com saúde até agora, quando passa seis meses de seu aniversário de 103 anos.

Sua vida é um exemplo seguido pelos seus filhos, netos e possivelmente para as demais gerações que já estão crescendo aproveitando seu convívio.

A união da família, o exemplo do trabalho, da alegria de viver e o respeito aos valores éticos e cristãos fazem os descendentes de Oscar Fries uma família unida e feliz com sua história, um legado deixado para netos, bisnetos e tataranetos que pode ser perpetuado a partir da valorização da trajetória de vida daquele que foi o pilar desta edificação.

Texto e foto: Helaine Gnoatto Zart | A Folha do Sul

Vídeo: Redei9 e A Folha do Sul

E é nesta casa que a família continua se reunindo. Ao redor da mesa farta ou de uma roda de conversa, todas as gerações demonstram afeto, respeito e interesse na história de vida de Oscar Fries

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