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Violência contra a mulher

Violência contra a mulher
28.03.2014 17h55  /  Postado por: upside

Sociedade precisa fortalecer redes de proteção

Conselho da mulher junto com a perita criminalista Andréa Brochier

Mal aconteceu a capacitação que abordou a temática “Mulher: como viver sem violência”, ministrada pela perita criminalista e Coordenadora Estadual da Sala Lilás, Andréa Brochier, Não-Me-Toque entra nas estatísticas e passa a ter seu primeiro crime contra a vida de uma mulher praticado por um ex-companheiro.

O crime bárbaro que levou a vida de Georgina Mara de Miranda, 51 anos, e também violou a integridade emocional de suas duas filhas, uma de 15 e outra de 19 anos, testemunha do ato, é o retrato de uma cultura distorcida que leva o homem a se considerar dono da mulher. O crime ocorreu no dia 21 de março. O treinamento para um grupo de mulheres interessadas em contribuir com a rede de proteção, ocorreu no dia 8 de março e encerrou a programação da Semana da Mulher, organizada pelo Gabinete da Primeira-Dama e do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, com coordenação de Bernadete Piva.
Realizada no Centro de Referência em Assistência Social (Cras), a atividade contou com a presença da vice-prefeita Teodora Lütkemeyer, do delegado de Polícia Arlindo Círio da Cunha, da presidente do Conselho Municipal da Mulher Nara Adams, e do vice-presidente, Charles Morais, de integrantes do Conselho, secretários Municipais, agentes de saúde, equipe da Secretaria da Assistência Social, professores e pessoas interessadas.
Na primeira abordagem a perita apresentou números sobre mortes em femicídios no Rio Grande do Sul:
– em 2010, 223 mulheres, 84 vítimas de violência doméstica;
– em 2011, 189 mulheres, 48 vítimas de violência doméstica;
– em 2012, 237 mulheres, 91 vítimas de violência doméstica;
– e em 2013, até 30 de julho, 112 mulheres, 55 vítimas de violência doméstica.
A cada 10 mulheres mortas, 4 já tinham registrado ocorrência de ameaça e lesão corporal, sendo que a maioria morre entre 30 a 90 dias após o registro.
A cada 10 mulheres mortas, 6 possuíam filhos com o assassino. Descobriu-se ainda que 62% dos filhos do casal possui até 10 anos de idade. E onde há violência contra a mulher, também há contra as crianças.
Em Não-Me-Toque, os números em relação à violência contra mulheres são elevados, mas aos poucos vem sofrendo uma queda. Confira abaixo o levantamento feito pela Delegacia de Polícia:
* Ameaças: em 2012 – 63; em 2013 – 59
* Lesão Corporal: em 2012 – 44; em 2013 – 43
* Estupro: em 2012 02; em 2013 – 03
Assassinatos: nenhum até a data do evento.
A segunda parte da capacitação apresentou o funcionamento da Sala Lilás que é um espaço de acolhimento privativo e seguro. Neste espaço as mulheres vítimas de violência recebem os atendimentos da perícia clínica, psíquica e do serviço psicossocial disponibilizados pelo Departamento Médico-Legal (DML). O serviço conta com uma unidade móvel que percorre as cidades onde não existem delegacias para atendimento da mulher.
Além do acolhimento e perícia clínica, o DML também realiza a perícia psíquica para avaliar os sinais e sintomas de sofrimento psíquico decorrentes do trauma e oferece o Serviço Psicossocial.
– Este evento foi muito produtivo, a próxima ação do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher será uma capacitação para identificar atos de violência, focada para Agentes de Saúde e pessoas envolvidas na área de proteção aos direitos da mulher – destacou Nara Adams, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher.
– O Conselho está de parabéns por promover ações que visam valorizar a mulher e buscar alternativas através de campanhas e conscientização para diminuir o índice de violência contra a mulher. Nossa administração é parceira destas inciativas e está trabalhando para expandir estas ações – comentou a vice-prefeita.

Redes de proteção
A especialista em crimes contra a mulher ressaltou que as ações protetivas devem iniciar por uma rede de proteção, porque a polícia é o último estágio e na maioria das vezes não protege a mulher, nem os filhos.
– Grupos de apoio e atendimento multidisciplinar, onde a mulher possa ser acolhida e entendida no seu drama são fundamentais. Mulher nenhuma gosta de apanhar. Quando ela apanha e permanece na relação é porque existe a doença psicológica que afeta, além do homem agressor, também a mulher – explicou Andréa Brochier.

A perita Andréa Brochier apontou dados dos femicídios

Segundo a perita, dependência financeira, o medo de violência ainda maior e a baixa autoestima são as principais causas da permanência da mulher na companhia do agressor.
Em Não-Me-Toque, a rede de proteção funciona no antigo posto de saúde, ao lado da Delegacia. Mantido pelo Governo Municipal, o Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas) que oferece atendimento psicológico e de assistência social. O município também mantém a casa de abrigamento Casa Lar.
Os participantes do evento foram orientados a ficar atentos a situações de violação dos direitos para poder ajudar mobilizando a equipe multidisciplinar do Creas ou orientando as vítimas a procurar o serviço público.
Outro serviço disponível para casos de agressão sexual vem da Secretaria da saúde que disponibiliza a pílula do dia seguinte e o coquetel contra o HIV que deve ser ministrado até 2 horas após a ocorrência. Neste caso, antes da denúncia na polícia, é preciso procurar a Saúde.

Longe da Justiça

Segundo dados trazidos pela perita criminalista Andréa Brochier, mais de 95% dos casos de agressão que chegam à delegacia de polícia terminam antes de chegar à Justiça, porque a mulher desiste de representar contra o agressor, especialmente se ele for o marido ou companheiro. Elas voltam a conviver com o agressor e a ser vítimas. A explosão da raiva é um espiral ascendente.
Segundo o delegado Arlindo, a causa principal está na desestruturação familiar, onde o álcool é a principal causa. Filhos que convivem com a violência tendem a repetir o comportamento na vida adulta (como vítima ou agressor).
Segundo o delegado Arlindo da Cunha, Não-Me-Toque tem casos em todas as classes sociais. Um deles é de uma mulher que sofreu maus tratos durante 30 anos e, só então fez a denúncia.

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