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Colunista e Opinião

O “se” não entra em campo

22.02.2017 11h09  /  Postado por: upside

jana-lauxen_coluna

E se eu não tivesse casado? E se eu tivesse tido filhos? E se eu tivesse cursado outra faculdade? E se eu tivesse dito sim ao invés de não? E se eu tivesse dito não ao invés de sim?
Se existe uma grande lição que eu aprendi com a minha mãe foi esta: o “se” não entra em campo. Porque “se” não existe.
A vida se resume basicamente em tomar decisões, desde que meia vamos usar hoje até o que faremos pelo resto de nossas vidas. Todos os dias optamos por este ou aquele caminho, e no momento em que se decide por um, é necessário esquecer os outros 999 que ficaram para trás. Caso contrário, é tortura.
Principalmente por que, quando viemos com essa conversa de “e se”, geralmente imaginamos que o outro caminho, o que relegamos no passado, teria sido infinitamente melhor do que nossa atual realidade.
“E se eu não tivesse casado?”, e o cara já se imagina de boa tomando um drink cercado de gente linda numa praia em Ibiza. “E se eu tivesse tido filhos?”, e lá está o cara se imaginando correndo com criancinhas sorridentes pela pracinha. “E se eu tivesse cursado outra faculdade?”, e eis o mesmo cara se imaginando como um profissional bem-sucedido, rico, dono de uma sala feita sob medida.
Por que sempre achamos que, SE tivéssemos feito diferente, estaríamos melhores? Não necessariamente, vamos combinar. Se não tivesse casado, talvez você estaria na sarjeta, solitário e alcoólatra. E se tivesse tido filhos, poderia ter sido um pai ou uma mãe péssimo, ausente e frustrado. Se tivesse cursado outra faculdade, vai saber, você poderia estar desempregado, aborrecido e estressado.
SE tivéssemos feito diferente, nós poderíamos estar numa melhor, mas com certeza também poderíamos estar numa pior.
Não há como saber, e é por isso que o “se” não entra em campo. O caminho escolhido no passado pode ter sido errado, mas também pode ter sido certo, e como nunca haveremos de ter certeza, o negócio é relaxar. Aprender com os erros é inteligente, mas se deixar torturar por eles é insano – especialmente quando sequer temos certeza de que o erro foi, de fato, um erro.
O “se” não entra em campo. E se ele não entra em campo, ele também não pode jogar.

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