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Agronegócios

Entidades ligadas aos agricultores como Fetag e sindicatos retiram apoio ao protesto

Entidades ligadas aos agricultores como Fetag e sindicatos retiram apoio ao protesto
Produtor de leite de Ibirubá derrama produção em frente aos caminhoneiros na terça-feira
30.05.2018 14h04  /  Postado por: upside

Produtor de leite de Ibirubá derrama produção em frente aos caminhoneiros na terça-feira

Por: Felipe Keller | A Folha | Não-Me-Toque

Enquanto grupos mobilizados permanecem intensificando a presença de caminhoneiros em Carazinho, no Trevo do Avião, entroncamento da BR 285 com a RS 142. A greve segue nesta quarta-feira (30) e chega ao seu décimo dia seguido, as entidades ligadas ao agricultores, como Fetag e Sindicatos dos Trabalhadores Rurais retiram o apoio.

Grupos de caminhoneiros se revezam a passam a noite no local da manifestação em Carazinho. O caminhoneiro de Não-Me-Toque, Nelson Emir Arendt, passou a madrugada de terça-feira (29) com outros colegas do movimento.

– Estamos nos revezando à noite e durante o dia a circulação chega a 2 mil pessoas por aqui – comentou.

Na terça-feira ele disse que a paralisação continua e, segundo o caminhoneiro, com expectativa de maior presença de agricultores. Empresas transportadoras de cargas apoiam os motoristas parados. O acordo divulgado pelo governo não trouxe confiança ao movimento em Carazinho.

Contraponto

Ontem (29), o governo avaliou que a continuidade da greve está sendo motivado e financiado por empresários ou infiltrados com motivação política. Segundo ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, eles atrasam o retorno à normalidade do país. O presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) José da Fonseca Lopes, informou que as reivindicações foram atendidas. O governo garantiu que o diesel estará mais barato a partir que os postos forem reabastecidos com o novo valor.

Transportadores de Ijuí

O presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas de Ijuí/Região Noroeste Carlos Alberto Dahmer, em entrevista à rádio Gaúcha na manhã de terça-feira (29), informou que existe várias bandeiras em favor a greve, mas que existe insegurança para os caminhoneiros que desejam voltar a trabalhar, pela infiltração de intervencionistas.

O líder sindical está em Brasília participando das negociações. Outros líderes do movimento, como Wallace Landim, o Chorão, defende a permanência dos caminhoneiros, utilizando as redes sociais, fazendo críticas à imprensa e ao governo, salientando que os objetivos não foram alcançados e que as reivindicações atuais são de a toda sociedade.

 

Entidades agrícolas tiram apoio

Na manhã de hoje, as entidades representativas dos agricultores anunciaram fim do apoio à paralisação. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Não-Me-Toque, que apoiou o movimento desde o primeiro dia e até segunda-feira participou da mobilização organizada pela Acint, colocou pano preto na frente da sede. O presidente Maiquel Junges, que defendeu a pauta dos caminhoneiros até então, declarou o luto em nome do STR.

Quando declarou apoio, o sindicato esperava que as cargas vivas e a ração para alimentar aves e animais tivesse trânsito livre, o que não aconteceu, e os prejuízos já são irrecuperáveis para os agricultores.

NOTA:

Maiquel Junges 28/05/2018. “Sindicato Dos trabalhadores rurais de Não-Me-Toque presente em mais uma mobilização. Desta vez no trevo em frente ao Roos. Parabéns aos organizadores. Juntando força para alcançar resultado. Não fomos eleito presidente para ficar parado”,

Maiquel Junges 30/05/2018. “O Sindicato dos trabalhadores rurais de Não-Me-Toque entra em estado de luto. Luto pela mais de 100 mil famílias agricultoras familiares atingidas pela greve. Luto pelos mais de 40 milhões de litros de leite jogados fora. Luto pelos milhões de frangos e suínos mortos. Sempre em defesa de seu associado”.

Na segunda-feira (28), presidente do STR de Não-Me-Toque participou na manifestação em apoio aos caminhoneiros e na quarta (30), seguiu a decisão da Fetag e declarou luto

NOTA OFICIAL DA FETAG-RS

A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (FETAG), desde o início da mobilização dos caminhoneiros manifestou apoio à pauta, por entender que essa era a mesma dos agricultores. O êxito obtido na reivindicação do diesel, por exemplo, atende a reivindicação da agricultura familiar.
No entanto, decorridos nove dias de paralisações, constatamos que a greve tomou um rumo que traz a perda de controle das mobilizações, passando a ter um foco político-ideológico. Mais de 100 mil famílias, que produzem leite, suíno, frango e hortifrutigranjeiros estão perdendo toda a produção.
Diante deste contexto, a FETAG-RS não pode mais concordar com uma manifestação que traz prejuízos desta magnitude para os agricultores. Assim, a ORIENTAÇÃO da FETAG-RS, neste momento, é que haja serenidade e que os Sindicatos dos Trabalhadores Rurais retirem o apoio das mobilizações.
A FETAG-RS conclama ao comando das mobilizações para desobstruir a passagem de caminhões com produtos dos agricultores, além de insumos e rações para que a indústria possa retomar a produção.
A FETAG-RS entende que não pode colocar produtor contra produtor e o prejuízo para a agricultura familiar está muito grande e sem precedentes.
Então, a partir de agora, a FETAG-RS orienta para a retirada de apoio à greve dos caminhoneiros, enquanto não for normalizada a passagem da produção dos agricultores.
Os agricultores não podem pagar a conta da incompetência dos nossos governos e de uma mobilização sem controle.

FETAG – A DIREÇÃO – Porto Alegre, 29/05/2018

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