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Doença de Alzheimer: O Tempo, o Cérebro e os Sintomas

Doença de Alzheimer: O Tempo, o Cérebro e os Sintomas
A doença avança e chega num estágio em que o cérebro que não tem mais as conexões necessárias para lembrar dos momentos importantes e felizes
01.10.2019 09h46  /  Postado por: helaine
João Centurion Cabral

O Dia Mundial da Doença de Alzheimer, 21 de setembro, é utilizado mundialmente para conscientizar a população sobre o Alzheimer. Nesta data, instituída pela Organização Mundial da Saúde, clínicos, cuidadores, parentes e cientistas unem esforços para divulgar informações sobre essa doença que afeta dezenas de milhões de idosos no mundo todo.

 

A doença avança e chega num estágio em que o cérebro não tem mais as conexões necessárias para lembrar dos momentos importantes e felizes

Popularmente conhecida como Mal de Alzheimer, esta doença é o tipo de demência mais comum no mundo. Embora haja outros tipos de demência igualmente danosas e incapacitantes, a Doença de Alzheimer é responsável por aproximadamente dois terços dos novos casos de demência, atingindo mais de 1 milhão de brasileiros. Com mais de 50 mil novos casos por ano no Brasil, e com o crescimento da sua incidência, o número de pessoas acometidas pelo Alzheimer pode dobrar até 2030. Portanto, conhecer os sintomas precocemente é fundamental para prevenir ou reduzir os efeitos nocivos desse tipo de demência.

Os pequenos prejuízos de memória são os primeiros sintomas perceptíveis. Inicialmente, nada grave. Dificuldades para recordar eventos do cotidiano. No entanto, as falhas de memória podem evoluir e se tornar mais graves e recorrentes, atrapalhando a rotina e as atividades sociais e profissionais. Este é um importante sinal de alerta. A Doença de Alzheimer afeta primeiramente uma região do cérebro conhecida como hipocampo, que é fundamental para o funcionamento da nossa memória. Ou seja, caso a origem das falhas de memória seja a demência do tipo Alzheimer, os sintomas não irão melhorar espontaneamente. O tratamento é necessário e urgente.

Assim como em outras demências, os sintomas do Alzheimer são progressivos; eles avançam provocando a morte das nossas células cerebrais, os neurônios. Em pouco tempo, a morte dos neurônios deixa de ser restrita ao hipocampo, avançando para outras regiões cerebrais. Neste estágio, os sintomas comportamentais da doença também progridem, comprometendo a nossa atenção e nossa capacidade de planejamento. Cada vez mais, o controle emocional passa a ser um desafio. Logo, passam a ocorrer oscilações de humor intensas, com irritações e melancolias repentinas. Sem tratamento, o avanço da demência sobre o cérebro acaba reduzindo a orientação e linguagem. Ou seja, os pacientes começam a não saber onde estão, nem qual o dia da semana; perdem também a capacidade de se expressar com clareza. Oscilações, também, entre lucidez e desorientação passam a ser comuns ao paciente.

Depois de alguns poucos anos, o tamanho do cérebro fica drasticamente reduzido. Enquanto a Doença de Alzheimer se torna incapacitante para o paciente, ela se torna um dramático desafio para os familiares e cuidadores. Sem parar, ela continua avançando.

Os profissionais da saúde são fundamentais para o tratamento efetivo de qualquer tipo de demência. No entanto, é o papel dos familiares e dos cuidadores que faz a diferença. Somente eles podem assegurar o cuidado diário e a qualidade de vida para os pacientes. Os cuidadores – sejam profissionais, sejam familiares – podem ajudar a conduzir os exercícios neuropsicológicos no dia a dia e a preparar o ambiente doméstico para facilitar a rotina do paciente nos primeiros estágios da doença. O afeto e a paciência, tão necessários nos estágios finais, também são dessas pessoas, que lidam diariamente com seus entes queridos, os quais podem acabar perdendo completamente a lucidez e a memória.

Sim, é possível, com o avanço da doença, que chegue um momento em que o paciente não lembre mais dos seus familiares e amigos, das pessoas que cuidam dele, das pessoas que foram importantes para ele. Logicamente, o paciente não faz isso de forma intencional. Não é por mal, por falta de esforço ou falta de amor. É inevitável para ele!

É o cérebro que não tem mais as conexões necessárias para lembrar dos momentos importantes e felizes. Este também é o motivo de alguns pacientes terem comportamentos “socialmente impróprios”. Não é por “falta de vergonha”, como pensam algumas pessoas. Nesse estágio, as partes do cérebro responsáveis pela inibição social não estão mais controlando os impulsos do paciente.

Por mais difíceis que sejam os momentos familiares nos estágios finais, certamente eles seriam muito mais difíceis sem a paciência e o carinho dos cuidadores. Nem todas as notícias são ruins, a ciência tem avançado muito no tratamento e na prevenção das demências. Nos próximos anos, através de notáveis pesquisas internacionais, grandes progressos científicos deverão ser noticiados. Mesmo assim, o cuidado e o respeito às dificuldades das pessoas com Alzheimer continuarão sendo as formas mais primordiais e importantes de tratamento.

João Centurion, psicólogo, mestre e doutorando em Psicologia pela UFRGS. Além de pesquisador, é redator dos portais de divulgação científica Universo Racionalista e Portal Deviante, onde escreve sobre neurociência e psicologia
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