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Comportamento

A vida depois de um ano de pandemia

A vida depois de um ano de pandemia
26.03.2021 14h43  /  Postado por: A Folha
Por Laura Simon Marques

O mês de março marca um ano da pandemia na nossa região. Quanto afetou e o que mudou na vida das pessoas? O Jornal A Folha conversou com não-me-toquenses sobre as mudanças sentidas nesses tempos difíceis.

Terezinha Keller mora com os dois filhos e o marido, e é a proprietária da conhecida Tere Enxovais. Para ela, embora difícil anteriormente, a mudança foi só realmente sentida com a bandeira preta: o medo dos amigos e familiares ficarem infectados aumentou, a seriedade da doença ficando cada vez mais evidente, a cada amigo e conhecido vitimado por complicações. Além de tudo isso, a insegurança com a situação financeira. Emocionada, ela disse:

Tere Keller, empreendedora

— Mesmo antes da pandemia, a situação do empreendedor já estava difícil, mas com o problema que afetou o mundo, a preocupação aumentou muito mais. Minha loja depende muito de o cliente vir até o estabelecimento para fazer sua compra, é assim que pagamos as nossas contas. Com menos circulação das pessoas nas ruas, e a proibição de trabalhar nas últimas semanas, a insegurança e o medo aumentaram muito. Tento ver tudo isso como um meio de aprender com os desafios, mas, às vezes, desanimo —, relata.

Terezinha diz que utilizou esse tempo para fazer de sua casa um refúgio mais acolhedor, está se dedicando à leitura e gosta de ficar perto da natureza para se acalmar.

— As adversidades podem ser uma excelente oportunidade para crescer.  Estou aprendendo. É importante entender as nossas fragilidades, descobrindo que temos força para enfrentar os momentos complicados, e pedir ajuda especializada quando necessário.

Ela espera que no futuro os tempos de paz, saúde, prosperidade e abundância cheguem para todos.

 

Salete Hoose, agricultora aposentada, sócia fundadora do Grupo de Danças Alemãs Immer Lustig und Durstig, presidente do Grupo de Idosos Sempre Viva na Fé da IECLB, sempre muito social e ativa, sofreu um baque com a pandemia.

— Acho que eu envelheci cinco anos neste um. Eu chorava muito no começo, de raiva, de desespero, de tudo. Cheguei a comprar remédio para a ansiedade. Eu me mantenho ocupada, tenho terreno grande, faço crochê, mas para alguém como eu, que saia três vezes na semana para poder visitar outras pessoas, ficar sozinha o tempo todo foi muito pesado —, relata.

Salete Hoose

Ela conta que, depender dos outros para fazer suas compras, por exemplo, também foi uma adaptação muito difícil. Mas diz que pediu orientação a Deus para mudar sua forma de pensar e sentir.

— A pandemia me afetou muito. Acho que antes eu era uma pessoa mais feliz, hoje vejo a vida de um jeito diferente, com mais tristeza. Vejo que a maioria das coisas têm relação com dinheiro, e não com amor. Já nem assisto mais as notícias.

Salete diz que o que mais lhe impactou foi não poder se despedir dos amigos que faleceram nesse tempo, e embora ela espere que as coisas voltem ao normal, por enquanto, acha difícil que a situação melhore.

— Não consigo encontrar algo positivo nisso tudo – concluiu.

Eduarda Caroline Schaeffer, estudante de direito, compartilha a rotina e a vida na sua conta do instagram @eduuardaschaeffer com mais de seis mil seguidores. Sobre a Covid-19 e como ela a afetou, Eduarda disse:

Eduarda Caroline Schaeffer

— Eu demorei um pouco para perceber que as coisas não estavam mais iguais, mas a partir do momento que “caiu a ficha”, eu tive uma mudança drástica em todos os sentidos e todos os âmbitos da minha vida. Depois dessa experiência, eu sou alguém muito mais capaz de olhar o outro com amor e cuidado.

Embora não tenha sido pessoalmente vitimizada de maneira forte pela doença, Eduarda diz que se entristece muito vendo o sofrimento daqueles que perderam amores para o vírus e as famílias que estão com dificuldade em suprir suas necessidades básicas.

— Com a pandemia, comecei a valorizar muito mais os momentos, vendo-os como especais e únicos, vi novas oportunidades, e encontrei um novo caminho. Sinto que as adversidades me fizeram ter ainda mais certeza daquilo que eu quero para minha vida.

Ela espera que todos consigam sair desses momentos difíceis com um olhar mais caridoso e fraternal para com o outro.

Todo ciclo que se inicia, um dia, terá seu desfecho

Bernardo Bender, psicólogo, observa de perto os impactos da pandemia em seus pacientes. Pensando nisso, ele deixa uma mensagem para todos:

Bernardo Bender

— Todo ciclo que se inicia, um dia, terá seu desfecho. Mas, sabemos também, que todo ciclo traz consigo um aprendizado, independente seja esse ciclo bom ou ruim. Como geralmente falo em setting terapêutico: a dor nos ensina coisas que a felicidade jamais conseguirá ensinar, basta a nós então, prestar atenção nos detalhes. Então, apesar de estarmos vivendo em constantes ameaças por algo invisível aos olhos nu, quais pontos positivos poderíamos aprender com tais acontecimentos – trágicos por sinal? A resposta é uma eterna variante que mudará conforme o entendimento de cada indivíduo sobre tudo que está acontecendo, porém, um fato é certeiro: fazia muito tempo que nós não parávamos para prestar atenção nos detalhes das nossas vidas e até mesmo, darmos valor a cada dia que estamos tendo a possibilidade de viver.

O psicólogo continua:

— Esse ciclo terá um fim. Isso é certo! Então resta a nós, nesse momento além de nos cuidar e nos proteger, valorizar cada ente querido e amigo. É momento de reinventar formas demonstrar nosso afeto – já que, contato físico é estreitamente limitado. É tempo de valorizar o ato de viver, e não somente apenas, dar créditos para o ato de conviver e sobreviver. Afinal, a vida está nos detalhes, a vida está na esperança de dias melhores e, sobretudo, a mágica da vida está acontecendo. Que assim não percamos mais tempo. Vamos valorizar tudo aquilo que nós temos, inclusive, a crença de dias supremos.

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