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Donas de casa são exemplo na separação do lixo

20.06.2016 15h00  /  Postado por: upside

Separar o lixo em casa dá trabalho, mas quem faz sente muita satisfação. E elas vão além de separar: lavam as embalagens de leite, aproveitam cascas para fazer adubo orgânico, não contaminam papel, plástico e vidro com resíduos. São exemplo de consciência cidadã, afinal, não é possível jogar o lixo fora do Planeta, no momento que se produz um descarte, somos responsável pelo destino que esse produto terá.

Este aprendizado, disseminado em Não-Me-Toque pelo biólogo Jackson Müller – que tem presença constante no mês de junho com suas mensagens fortes – e pela sementinha que foi plantada na administração de Johannes van Riel (1992/1996), quando a população de Não-Me-Toque foi incentivada a separar o lixo doméstico em orgânico e inorgânico. A campanha era desenvolvida pela Secretaria da Educação, e a professora Mara Rubin a responsável pela divulgação.

Avó, filha e neta tem consciência da importância de dar destino certo ao lixo

Avó, filha e neta tem consciência da importância de dar destino certo ao lixo

Faz pelo menos 22 anos que as entrevistadas iniciaram a separação do lixo doméstico e nunca mais pararam. Lorena Kissmann é uma delas. Na cozinha mantém duas lixeiras e tanto os filhos como os netos cresceram aprendendo sobre a importância da separação.

– Só coloco o lixo seco para a coleta nas terças e quintas-feiras e cuido o horário do caminhão do lixo, para não ficar na rua – explica a dona de casa que mora no centro da cidade.

Dona Lorena relata que os maus hábitos das pessoas incomodam e prejudicam a todos. Sua vizinha teve que colocar um cartaz na lixeira para que os moradores das imediações não depositassem lixo depois que o caminhão faz a coleta diária. Isso era uma prática comum e o resultado era sacos furados pelos cães e lixo esparramado na calçada.

Foi preciso alertar que o lixo tem horário para coleta

Foi preciso alertar que o lixo tem horário para coleta

– Eu lembro de uma vez em que uma chuvarada alagou uma rua os moradores reclamaram. O Seu João, que era prefeito, disse que a culpa era das pessoas que jogavam lixo na rua e esse lixo trancava os bueiros. Lorena Kissmam deu razão ao prefeito, mas percebe que grande parte das pessoas não reconhece as consequências de seus atos.

Assim como Cristiane Elger aprendeu com a mãe, Tália, sua filha de 14 anos de idade, Luana, também faz da separação do lixo doméstico uma prática diária. A menina até lava a embalagem do leite antes de descartar. Dona Tália, 66 anos, não dispensa nada que sobra na cozinha, vai tudo para uma composteira e vira adubo que vai parar horta.

– Quando descarto vidro, eu enrolo em jornal, coloco numa caixinha que é lacrada com fita e ainda escrevo que tem vidro – explica Cristiane. Faz isso em consideração aos trabalhadores da coleta, para que não se machuquem.

Lourdes Silveira também colabora com a coleta e separação do lixo orgânico e seco

Lourdes Silveira também colabora com a coleta e separação do lixo orgânico e seco

A responsabilidade com o lixo é uma prática que faz parte dos hábitos de todos na família Elger. Warno, pai de Cristiane, não consegue andar pela rua sem juntar as garrafas pet e sacos plásticos que ficam jogados nas sarjetas. Sempre vem pra casa carregando o que encontra pelo caminho.

– Tudo vai para uma sacola e colocado na rua antes da coleta do caminhão – relata Talia.

Na rua em frente as suas casas não se vê um cisco, prova do capricho.
– Não entendo porque a Prefeitura tem que pagar alguém para limpar o que as pessoas jogam no chão. Se cada um fosse responsável, não precisaria varredor de rua – afirma Criatiane.

Hábitos que transformam
Ilena de Morais é mais uma cidadã que sabe respeitar o meio ambiente e entende os efeitos do lixo na natureza. A separação do lixo orgânico e seco começou na sua casa porque ela gosta de pescar e não encontrava minhoca. Com os rejeitos da cozinha fez sua primeira compostagem com o objetivo de criar minhocas. Na mesma época iniciou a campanha na cidade para a separação e o hábito foi incorporado pela família.

– Durante 10 anos fiz o criatório de minhoca em um buraco no piso da calçada, que tapava com plástico, até que descobri que não precisava mais comprar adubo e buscar terra de mato para minha horta – relata à reportagem.

Ilena de Morais faz adubo orgânico para seus vasos com os rejeitos da cozinha

Ilena de Morais faz adubo orgânico para seus vasos com os rejeitos da cozinha

Da sua horta saiu farta colheita de verdura consumida em casa até pouco tempo atrás, quando o espaço deu lugar à ampliação do prédio. Mesmo assim, não deixou de fazer a compostagem. Mantém um balde para depositar as cascas, erva-mate e outros rejeitos da cozinha, onde fica até “curar”, depois vai para um tanque, pronto para ser usado nos vasos de folhagens, temperos e chás que mantém na sacada do apartamento. O que não aproveita para fazer adubo vai separado para a coleta do lixo. Cuida para não contaminar o lixo seco com embalagens como da carne.

– Depois que a gente se habitua a cuidar a forma como descarta o lixo, não tem como fazer diferente, além do que é um compromisso que temos com o mundo que vivemos e vamos deixar para nossas gerações futuras – fala dona Ilena de Morais com propriedade.

 

 

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