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Cultura e lazer

Professora desenvolve jogo artístico que permite personalização

Professora desenvolve jogo artístico que permite personalização
27.05.2019 14h28  /  Postado por: helaine

Helaine Gnoatto Zart | contato@afolhadosul.com.br

Silvia Trentin Gomes desenvolveu um jogo de cartas com interação digital para sua tese de Doutorado na Pontifícia Universidade Católica da São Paulo utilizando obras de artistas consagrados que pode se tornar um produto para ser utilizado em larga escala nas escolas e também para presente.

No dia 29 de março, Silvia Trentin Gomes apresentou sua tese de Doutorado em Tecnologias da Inteligência e Design Digital pela PUCSP, e recebeu nota máxima dos cinco professores avaliadores, concluindo com nota 10. A professora de Artes, não-me-toquense, residindo em São Paulo, desenvolveu o jogo de cartas adaptável e contextualizável para a interpretação de imagens no Ensino de Artes Visuais indicado para um público com idade a partir de 10 anos. A professora utilizou obras de artes, mas o jogo pode utilizar imagens de qualquer tema, basta escanear utilizando o QR code do tabuleiro.

O jogo que pode ser integrado a um sistema digital para o ensino e a aprendizagem de artes visuais foi desenvolvido com base nos conceitos formulados por Vigotski, referentes à imaginação e interação social, e por Paulo Freire, referente à curiosidade. O propósito é que os aprendizes/jogadores reflitam sobre suas respectivas produções de conhecimento ao interpretar imagens selecionadas para o jogo.

– A necessidade de tal pesquisa acontece em função da quantidade de informações visuais a que somos submetidos atualmente sem contextualizá-las, bem como pela relevância por elas adquirida quando as utilizamos para estimular a imaginação, interação e curiosidade no processo de cognição dos aprendizes – justifica Sílvia Trentin Gomes, Doutora em Artes Visuais.

Ao utilizar o material em sala de aula, os professores/mediadores podem estimular os aprendizes a ler as imagens e pesquisar sobre elas, para, assim, elaborarem o jogo e refletirem sobre sua interpretação no momento da ação do jogar.

O jogador expõe sua interpretação de acordo com a “regras de ação” do jogo estabelecidas ao lançar um dado, que podem ser por meio de desenhos, sons, gestos ou falas, de modo a estabelecer relações com o que observou e o que descobriu referente à imagem. Cada carta contém um QR codes que possibilita a pesquisa da imagem através do celular.

O trabalho foi fundamentado em pesquisa exploratória de campo com abordagem qualitativa. Envolveu crianças e adolescentes na idade entre 10 a 14 anos estudando artes visuais (desenho e pintura), em ambientes não formais de aprendizagem.

Sílvia pinta desde adolescente e foi se aperfeiçoando com cursos até chegar à universidade. Deu aulas de pintura em seu ateliê em Não-Me-Toque até mudar para São Paulo – Capital –, em 2012, quando já tinha ideia de desenvolver o jogo. Sua experiência prática foi fundamentada em teorias de aprendizado que envolvem o conhecimento e a criatividade.

– Durante a pesquisa, percebi que o modelo de jogo proposto é um aliado à personalização do ensino, pois possibilita aos aprendizes ler e pesquisar sobre imagens e, no ato de jogar, demanda a interpretação e contextualização das imagens – justifica no resumo da tese.

De acordo com a pesquisa, o desenvolvimento e a jogabilidade, neste tipo de produção lúdica, apresenta-se como um modelo de geração de conhecimento sensível e inteligível que pode possibilitar intervenção no processo educacional com vistas a estimular o protagonismo dos aprendizes pela ação-reflexão, reflexão-ação de uma expressão contextualizada, utilizando-se dos meios digitais e analógicos atuais.

 – Ao alcançar mais um dos meus objetivos não poderia deixar de agradecer. Foi preciso muito esforço, determinação, paciência, perseverança, ousadia e maleabilidade para chegar até aqui, e nada disso eu conseguiria sozinha.

Entre os agradecimentos, Sílvia Trentin Gomes citou a PUCSP, o programa Tecnologias da Inteligência e Design Digital, a coordenadora Santaella Lucia, orientador Hermes Renato Hildebrand, os membros da banca, Arlete dos Santos Petry, Cláudio Fernando Andre, David de Oliveira Lemes, Maira Greg, Ana Di Grado Hessel, Werley Carlos de Oliveira, todos os seus professores, colegas, pais de alunos, aos alunos, os amigos, marido, filha e seus pais, Marilde e João Trentin.

No momento, Silvia está em contato com as editoras de jogos para negociar a impressão em grande escala para distribuir as escolas.

NOTA – Lev Vygotsky (1896-1934): Pensador importante em sua área e época, foi pioneiro no conceito de que o desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função das interações sociais e condições de vida.

 

Sílvia Trentin Gomes junto com os professores da banca avaliadora que concederam nota 10.

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