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Demanda de famílias em busca de alimentos cresceu mais de 100% em Não-Me-Toque

Demanda de famílias em busca de alimentos cresceu mais de 100% em Não-Me-Toque
J. C. mãe de três meninas, vive o pior momento de sua vida: perdeu o emprego em dezembro por conta da pandemia, teve a luz cortada, sem direito ao auxílio emergencial e o pai das crianças não paga a pensão (Foto: Helaine Zart/A Folha).
09.04.2021 10h43  /  Postado por: A Folha
Por Roger Amaral

É inegável que a crise gerada pela pandemia causada pela Covid-19 tem em suas várias faces a degradação da economia e, por sua vez, o crescimento da vulnerabilidade social, principalmente de famílias de baixa renda afetadas pela perda de renda e de oportunidades de trabalho.

Em Não-Me-Toque, apesar de ser considerado um município onde seus cidadãos possuem um alto poder aquisitivo, ainda existem aqueles que diariamente buscam por ajuda, principalmente, por alimentos.

Conforme dados levantados junto à pasta de Assistência Social, a demanda de pessoas que procuram sacolas de alimentos cresceu 100% nos últimos meses. As cerca de 30 sacolas com produtos alimentícios essenciais mensuradas para suprir mensalmente as famílias necessitadas, já não são suficientes. A procura, que chega a ser de 20 famílias por semana, vem gerando preocupação para aqueles que cuidam diretamente do assistencialismo.

Atribui-se a alta demanda, além do fator econômico, também pela migração de famílias para Não-Me-Toque. Desde o início do ano, foi constatado o crescimento da migração de famílias de municípios da região, pessoas que vêm atraídas pela esperança de encontrar emprego nas grandes indústrias, acabam se instalando em casas de familiares. Esses, por sua vez, enquanto não obtêm o tão almejado trabalho, não dão conta de suprir as necessidades básicas com alimentação, e passam por dificuldades. Assim, acabam recorrendo ao pedido de ajuda à Assistência Social. Esse comportamento social também gera demanda por doações de móveis e utensílios, como por exemplo, cama, geladeira, colchão, roupas de cama e vestuário.

Ainda de acordo com informações da Secreta de Assistência Social, o município trabalha com um orçamento público pré-definido, e não consegue atender o alto crescimento da demanda. Para se ter uma ideia, no dia 6 de abril, já existe uma lista com cerca de 25 famílias cadastradas esperando por sacolas de alimentos. Em apenas um dia, 11 sacolas foram distribuídas, das 30 disponibilizadas pela Secretaria para o mês, e as solicitações não param de chegar.

Para receber uma sacola de alimentos é necessário realizar cadastro junto ao CRAS, receber a visita de uma equipe técnica que avalia a situação dos solicitantes e após, disponibiliza, ou não, os mantimentos.

DIFICULDADES

  1. C. é mãe de três meninas: 9 anos, 5 anos e 3 anos. Ela perdeu o emprego de babá e doméstica no mês de dezembro. A família sentiu medo da Covid-19 e dispensou seus serviços. J. procurou a Assistência Social Municipal para atualizar seu cadastro e buscar o auxílio emergencial do governo. Já não era mais possível, o prazo estava encerrado. Percorreu empresas levando currículo e preenchendo ficha de emprego e, desde então, não conseguiu mais nenhum trabalho. Para contato, deixou o número do telefone da vizinha. O pai das meninas deixou de pagar a pensão, faltou dinheiro para pagar a energia elétrica e, nesta semana, ficou sem luz. A casa simples estava com a geladeira e armários vazios, até que uma ação de voluntários trouxe um socorro e garantiu alimentos para alguns dias. Mas, para restabelecer a energia elétrica, faltam R$ 150,00.

—  Eu não sabia o que fazer, até que veio essa ajuda com os alimentos. Pedi desculpas pras minhas filhas porque não consegui pagar a luz. Isso nunca havia acontecido comigo — relata a jovem mãe que segue a procura de trabalho.

A situação é desoladora. Ainda, se as escolas estivessem abertas, as crianças poderiam estar aprendendo e teriam garantida pelo menos uma refeição por dia.

CAMPANHAS

Em 2020, diante da catastrófica pandemia anunciada, a sociedade como um todo puxada pelo movimento #FiqueEmCasa organizou e realizou a doação de centenas de quilos de alimentos. Já neste ano, com a saturação de campanhas, as doações estão em níveis baixíssimos, em um momento em que a solidariedade é mais que bem-vinda.

O secretário de Assitência Social de Não-Me-Toque, José Aloísio de Souza (Zuzu), lembra que, em algumas situações, a empatia se faz ausente por parte de alguns, dificultando a chegada de alimentos para todos. Segundo ele, uma mesma família, por muitas vezes recebe sacola de alimentos da Assistência, de entidades e de doadores. Ficando de fora pessoas que também estariam precisando.

Para tanto, a pasta de Assistência Social, trabalha com o cruzamento de vários dados para evitar que isso aconteça e todos sejam beneficiados com mais justiça. Mas a má fé ainda é o principal obstáculo nesse caminho, principalmente com a omissão de informações de alguns cidadãos.

DOAÇÕES

Interessados em contribuir com alimentos não perecíveis podem encaminhar doações junto à Secretaria de Assistência Social, localizada na rua Fernando Sturm, n° 172 – centro, ou entrando em contato pelo telefone (54) 3332-1233.

Interessados em ajudar a jovem mãe J. C. podem entrar em contato com a redação da Rádio e Jornal A Folha (whats 9715-2658).

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