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Paulo Garcia

22 de setembro de 2023

Paralisação dos produtores de leite do RS ganha apoio do deputado Paparico Bacchi

Foto: Paulo Garcia

Na Reunião Ordinária da Comissão de Assuntos Municipais da terça-feira (19), o deputado Paparico Bacchi (PL) manifestou seu apoio à paralisação dos produtores de leite do RS, anunciada pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (FETAG-RS).

Agricultores ligados à entidade vão paralisar o trânsito na ponte internacional sobre o Rio Jaguarão, na quarta-feira (27), em protesto à importação do leite da Argentina e do Uruguai e pela falta de ações do Governo Federal para fortalecimento da cadeia produtiva leiteira. A decisão sobre o protesto foi tomada após reunião realizada pelo Conselho Estadual do Leite e pelos coordenadores regionais da federação, na segunda-feira (7).

O deputado explica que o governo Lula aumentou, de janeiro até hoje, 380% a importação de leite, se comparado com o mesmo período na gestão anterior do governo Bolsonaro. “Esses dados me preocupam muito. Na segunda-feira (18), conversei com produtores rurais do interior da cidade de Marcelino Ramos, com a família Pegorini, que me confessaram que já não sabem mais ao que recorrer”, relatou o parlamentar.

Com a concessão de crédito para a importação da produção de leite da Argentina e Uruguai, anunciada pelo Governo Lula, o Brasil deixa de comprar produtos brasileiros e fortalece a produção de outras nações. Nos primeiros meses de 2023, gastou mais de US$ 350,5 milhões com importações de leite da Argentina e do Uruguai, um aumento de 292,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Com isso, os produtores de leite gaúchos e brasileiros estão sofrendo com o aumento dos insumos e elevado custo da produção, perdendo a competitividade em relação aos países vizinhos e mergulhando numa crise sem precedentes. Só em agosto deste ano, o Brasil importou US$ 76,2 milhões em produtos lácteos, em sua maioria do Mercosul. De janeiro até agosto já houve o aumento deste índice para US$ 596,06 milhões, aumento de 155,1%, em comparação com o mesmo período de 2022, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

Dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, apontam a redução de 60,78% no número de produtores no RS, sendo que eram 84,2 mil, em 2015, e o índice caiu para 33 mil produtores, em 2023. A queda tem relação direta com a falta de incentivo do governo federal, impulsionada pelas medidas de concessão de crédito de US$ 600 milhões para financiamento de exportações da Argentina, com garantias do Banco do Brasil, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF).

Nessa semana, vice-presidente da FETAG-RS, Eugenio Zanetti, se manifestou sobre o atual momento que a categoria está vivendo e comunicou a paralisação dos produtores. "O produtor não aguenta mais esperar e o Governo Federal fez muito pouco até agora para salvar o produtor de leite no Brasil. Se eles não barram o produto do Mercosul, o produtor vai barrar". Protestou Zanetti.

Segundo o deputado Paparico, a mobilização da FETAG-RS é justa, pois o Governo Federal, historicamente, atende as categorias que mais reivindicam. “Os produtores de leite precisam gritar para que o governo consiga atendê-los. Não existe outra atividade que demande tanto trabalho e sacrifício como a produção de leite. Ele não tem sábado, nem domingo, nem feriado, nem nada, porque a vaca não sabe que existe o final de semana, nem os feriados. O animal está no campo todos os dias para produzir o seu leite e o produtor rural precisa estar permanentemente aos seus cuidados. Caso haja o relapso do produtor, a vaca fica com mastite, adoece e assim por diante”, descreveu.

Na semana passada, o parlamentar havia conversado com Adilson Machado da Silva, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares (STAF) do município de Viadutos, na região do Alto Uruguai, e com os produtores de leite da região Norte e Nordeste do estado, onde há mais de 30 municípios. Bacchi relata que os trabalhadores da categoria estão muito preocupados com o rumo que a cadeia produtiva leiteira está tomando. "Para os produtores há somente uma alternativa de solução: a paralisação ou uma greve geral dos produtores de leite, com o intuito de sensibilizar o Governo Federal que está de olhos fechados acerca de um importante segmento da economia do Rio Grande do Sul e do Brasil", explicou o deputado.

A produção de leite hoje está dando prejuízos à categoria, persistindo o cenário a curto prazo. O produtor rural está endividado com muitos compromissos sobre o custeio de investimento, tanto na cadeia do leite, quanto na pecuária de corte. O parlamentar fala que é preciso incentivar a mobilização. “Estarei presente na mobilização do dia 27, quarta-feira, em Jaguarão — fronteira com o Uruguai. Precisamos nos somar ao esforço dos produtores de leite. Parabenizo o Adilson Machado, que é um dos líderes da FETAG-RS na região do Alto Uruguai, e estaremos lá porque este trabalho tem de ser permanente no sentido de sensibilizarmos o Governo Federal para que não acabe, definitivamente, com os produtores de leite do RS”, conclamou o deputado que é membro titular da Comissão de Assuntos Municipais da AL.

Fonte: Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul 

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