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O foguete Vulcan Centaur, um modelo nunca antes lançado desenvolvido pela United Launch Alliance Reprodução/ULA

8 de janeiro de 2024

EUA lançam primeiro foguete rumo à Lua após mais de meio século

Matéria atualizada dia 09/01/2023 às 09:48

Um imponente novo foguete levantou voo, transportando o que poderia ser o primeiro módulo de pouso comercial a pousar na Lua – e a primeira missão de pouso lunar lançada dos Estados Unidos desde 1972.

O foguete Vulcan Centaur, um modelo nunca antes visto desenvolvido pela United Launch Alliance (ULA), uma joint venture da Boeing e Lockheed Martin, ganhou vida na Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida, às 4h18 (horário de Brasília) desta segunda-feira (8).

O veículo de lançamento está avançando em direção ao espaço, gastando seu combustível enquanto tenta se libertar da gravidade da Terra e enviar o módulo lunar, chamado Peregrine, dentro de seu interior a caminho da Lua.

Por volta das 5h (horário de Brasília), espera-se que a espaçonave Peregrine se separe do foguete e comece sua lenta jornada até a superfície lunar. Se tudo correr conforme o planejado, a sonda poderá pousar na Lua em 23 de fevereiro.

Vulcan Centaur prestes a iniciar decolagem / Reprodução/ULA

O que há a bordo

A empresa Astrobotic Technology, sediada em Pittsburgh, desenvolveu o módulo de pouso Peregrino – em homenagem ao falcão, que é o pássaro que voa mais rápido do mundo – sob um contrato com a NASA.

A agência espacial pagou à Astrobotic US$ 108 milhões para desenvolver o Peregrine e levar os experimentos científicos da NASA à superfície lunar.

Mas a agência espacial é apenas um cliente entre muitos desta missão.

Das 20 cargas que o Peregrine levará para a Lua, cinco são instrumentos científicos da NASA. Os outros 15 vêm de diversos clientes.

Alguns são cargas científicas adicionais de países como o México, enquanto outros incluem um experimento de robótica de uma empresa privada sediada no Reino Unido e bugigangas ou lembranças que a empresa de transporte alemã DHL reuniu.

Peregrine também carrega restos mortais em nome de duas empresas comerciais de enterros espaciais – Elysium Space e Celestis – um movimento que gerou oposição da Navajo Nation, o maior grupo de nativos americanos nos Estados Unidos.

O grupo afirma que permitir que os restos mortais pousem na superfície lunar seria uma afronta a muitas culturas indígenas, que consideram a Lua sagrada. A Celestis se oferece para levar cinzas à Lua por preços a partir de mais de US$ 10 mil, segundo o site da empresa.

Os cinco experimentos patrocinados pela NASA incluem dois instrumentos para monitorar o ambiente de radiação.

— Ajudando-nos a nos preparar melhor para enviar missões tripuladas de volta à Lua —, disse Paul Niles, cientista do projeto da NASA para o programa Commercial Lunar Payload Services, o braço da NASA que forneceu financiamento para Peregrine, durante uma coletiva de imprensa na quinta-feira.

Outros instrumentos analisarão a composição do solo lunar, procurando moléculas de água e hidroxila. A NASA também estudará a atmosfera superfina da lua.

Uma vez na superfície da Lua, espera-se que o Peregrine opere por até 10 dias antes de seu local de pouso mergulhar na escuridão – tornando-o muito frio para continuar.

Também a bordo do foguete Vulcan Centaur, embalado separadamente do módulo de pouso Peregrine, está outra carga útil da empresa funerária espacial Celestis.

O objeto, em uma missão chamada Enterprise Flight, conterá 265 cápsulas com restos humanos, bem como amostras de DNA dos ex-presidentes dos EUA John F. Kennedy, George Washington e Dwight Eisenhower.

Os restos mortais também incluem:

— O criador e vários membros do elenco da série de televisão original Star Trek, bem como um astronauta da era —Apollo, juntamente com pessoas de todas as esferas da vida, interesses e vocações —, segundo o site da empresa.

O astronauta da Apollo cujos restos mortais estão a bordo do Enterprise Flight é Philip Chapman, que foi selecionado para o corpo de astronautas em 1967, mas nunca voou para o espaço. Ele morreu em 2021.

Vulcan Centaur após decolagem / Reprodução/ULA

Um novo foguete

Deixando de lado a emoção de uma tentativa iminente de pouso lunar, o lançamento do foguete Vulcan Centaur da ULA foi um evento por si só.

O foguete é um dos novos veículos mais esperados a voar em anos. Se a missão do foguete for bem-sucedida, poderá mudar o jogo para a ULA e para a indústria de lançamento em geral.

A ULA foi formada em 2006 em resposta à necessidade dos militares dos EUA de manter operacionais os foguetes Delta da Boeing e Atlas da Lockheed Martin. Mas a indústria de lançamentos parece muito diferente hoje do que era há quase duas décadas e, entretanto, a SpaceX emergiu como uma força dominante que reduz o preço da ULA.

A ULA e seu CEO, Tory Bruno, prevêem que o Vulcan Centaur substituirá seus foguetes Atlas e Delta. Vulcan Centaur já tem cerca de 70 missões agendadas, segundo Bruno.

A ULA tem um histórico de lançamento impecável, praticamente sem missões fracassadas. Vulcan Centaur baseia-se no sucesso dos foguetes Atlas da ULA usando essencialmente o mesmo estágio superior – a parte do foguete que impulsiona uma espaçonave a velocidades orbitais após a decolagem inicial.

Mas uma grande mudança foi feita no primeiro estágio do foguete, a parte inferior que lhe dá a explosão inicial de energia da plataforma de lançamento.

O Vulcan Centaur será impulsionado por dois propulsores laterais, bem como por dois motores de foguete fabricados nos EUA – desenvolvidos pela empresa Blue Origin, financiada por Jeff Bezos – na base de seu propulsor de primeiro estágio, substituindo os motores fabricados na Rússia que alimentavam os foguetes Atlas.

Representação artística do Vulcan Centaur em tempo real no espaço / Reprodução/ULA

A dependência da ULA dos motores russos tornou-se politicamente impopular à medida que as tensões entre os Estados Unidos e a Rússia aumentaram nos últimos anos.

A estreia do Vulcan Centaur já estava atrasada há anos, embora seja comum na indústria aeroespacial as empresas ultrapassarem os prazos.

A ULA encontrou longos atrasos aguardando os novos motores da Blue Origin. E um estágio superior do Vulcan Centaur foi inadvertidamente destruído em uma bancada de testes no ano passado.

Apesar desses contratempos, Bruno disse:

— Em novembro que o desenvolvimento do Vulcan Centaur foi um dos programas de desenvolvimento mais ordenados e bem executados em que trabalhei em minha longa carreira na indústria aeroespacial.

Vazamento de Combustível

Após poucas horas de lançamento da Sonda Peregrine, ocorreu um vazamento de combustível na espaçonave. Agora, o combustível será suficiente para viajar entorno de 40 horas num estado estável.

Os responsáveis orientaram a sonda em direção ao sol, para capta luz solar e recarregar as baterias.

Fonte: CNN Brasil | Informações atualizadas: Agência Brasil

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