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As profissionais médicas do HCC, pediatra Dra. Fernanda Nascimento e a obstetra Dra. Gabriela Piva Paim, juntamente com a assistente social do HCC, Maira Lais dos Santos, esclarecem sobre o assunto | Foto: Pixabay

5 de fevereiro de 2024

Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência: conheça os riscos e saiba como prevenir

A gravidez na adolescência é um fenômeno complexo e envolve múltiplas dimensões da vida humana, diretamente relacionada ao contexto sociocultural, econômico e político, assim como as dimensões étnicas e raciais e de gênero, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Hospital de Clínicas de Carazinho foram realizados cerca de 17 partos em adolescentes no último semestre de 2023.

De 01 a 08 de fevereiro é instituída a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência. A data foi criada pela Lei nº 13.798/2019 com o objetivo de disseminar informações sobre medidas preventivas e educativas que contribuam para a redução da incidência da gravidez na adolescência.

A pediatra do HCC Dra. Fernanda Nascimento, explica que se considera gravidez na adolescência como a gestação que ocorre entre 10 e 20 anos de idade, sendo de alto risco quando ocorre em menores de 15 anos.

— É um problema social que traz muitos impactos, principalmente para a vida da mãe. Ela sai de uma fase de estudos, amigos para o cuidado e responsabilidade com uma criança e isso gera transtornos psicológicos, físicos, dificuldade em retomar os estudos e também, ingressar no mercado de trabalho —, diz.

Ter um filho na adolescência aumenta os índices de mortalidade materna e infantil, segundo a Doutora Fernanda.

— Para o bebê, há uma maior probabilidade de parto prematuro, baixo peso ao nascer, desnutrição fetal, malformações e síndromes, como a síndrome de Down. Quando ocorre é necessário ter um acompanhamento de pré-natal adequado, acompanhamento psicológico e multidisciplinar, apoio da família e amigos. É necessário que essa gestante adolescente se sinta acolhida e que receba as orientações adequados para o cuidado com o recém-nascido e o vínculo desta nova família com o bebê. Porém, a melhor forma de prevenção da gravidez na adolescência é a educação tanto para meninas quanto para os meninos —, conclui Fernanda.

Já a obstetra Dra. Gabriela Piva Paim alerta para os problemas gerados pela gravidez na adolescência.

Os principais problemas para saúde da mãe adolescente são:

- Impactos físicos, sociais e psicológicos para essa mãe;

- ⁠Dificuldade de retomar os estudos e conseguir ingressar no mercado de trabalho;

- Aumento do risco de complicações na gravidez como: mortalidade materna, hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia, anemia, parto prematuro, depressão pós parto;

- ⁠Dificuldade para realização do parto normal devido a formação óssea da bacia ainda não estar completa;

- A maior parte das gestantes adolescentes são abandonadas pelos parceiros ainda durante a gestação o que acarreta em maior vulnerabilidade psicológica e social;

Como prevenir:

- A educação é a ferramenta fundamental para que haja campanhas em relação ao uso de contraceptivos tanto nas escolas como nos postos de saúde;

-Familiares ficarem atentos as necessidades das adolescentes e conversarem sobre a importância do uso dos métodos contraceptivos;

- ⁠Promover conhecimento sobre os métodos de longa duração como DIU ou implante, visto que hoje esses métodos são considerados os mais seguros/ eficaz na população jovem;

Segundo a assistente social do HCC, Maira Lais dos Santos, quando essa demanda chega até o hospital, a paciente já está gestante, uma vez que a intervenção do serviço acontece quando os casos envolvem violência sexual que possam ter resultado na gestação ou uma gravidez indesejada sem a presença de um tutor legal. Neste sentido a Assistência Social atua conforme solicitação do médicos e/ou enfermagem, resultando nos devidos encaminhamentos a rede de proteção à criança e ao adolescente.

— Em alguns casos a rede comunica o serviço social da entrada desta adolescente gestante ao hospital, a partir disso realizamos o acompanhamento enquanto permanecer em tratamento na instituição, após segue na sua rede de referência. Somos ferramentas para auxiliar em um trabalho multidisciplinar a fim de garantir os direitos e a proteção destas gestantes e da criança que está sendo gerada —, explica Maíra.

Fonte: HCC

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