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Cota da grande enchente de novembro de 2023 do Guaíba foi superada nesta noite no que agora passa a ser a segunda maior enchente de Porto Alegre | GUSTAVO MANSUR/GOVERNO DO ESTADO

3 de maio de 2024

Guaíba não para de subir e enchente já é segunda maior de Porto Alegre

Guaíba segue subindo acentuadamente, já superou as principais cheias da história e tem apenas 1941 como enchente maior.

Porto Alegre enfrenta a segunda maior enchente da sua história. O nível do Guaíba pouco antes das 21h desta quinta-feira atingiu marca de 3,50 metros na régua do Cais Mauá, no Centro da cidade, tornando-se a segunda maior cota já observada desde o começo dos dados há 150 anos.

Com os 3,50 metros, foram superados os dois picos de cheia do ano passado de 3,18 metros de setembro e os 3,46 metros de novembro. A marca iguala o que desde 1941 era a segunda maior cheia da história da capital, a de 1873 que marcou 3,50 metros, mas que imediatamente será superada. O máximo do Guaíba segue sendo os 4,76 metros de maio de 1941.

Desde a enchente de 1941, esta é apenas a quarta vez em que o Guaíba alcançou a cota de transbordamento de 3,00 metros no Cais Central. Entre 1941 e 1967 (3,11 metros) foram necessários 26 anos para a marca fosse alcançado. Depois foram precisos outros 56 anos para que a marca fosse atingida. Agora, em apenas nove meses, o Guaíba bateu a marca de 3,00 metros em três oportunidades: setembro, novembro e nesta cheia de 2024.

O nível do Guaíba seguirá subindo acentuadamente e vai ultrapassar a marca dos 4,00 metros. O governo do estado e o Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS afirmam que o Guaíba atingirá mais de 5,00 metros, superando a enchente de 1941.

A MetSul opta por não fazer previsão de número exato de pico de cheia dada a elevada escassez de dados em tempo real de bacias contribuintes, a alta margem de erro e incerteza para projeções para o Guaíba e pelas variáveis múltiplas (hidrológicas e meteorológicas) sob uma condição muito volátil, preferindo advertir e concentra-se na tendência da probabilidade de enchente excepcional que pode atingir valores ao menos próximos do máximo de 1941 (4,76 metros).

A inundação das ilhas será catastrófica com água com altura de um a dois metros em diversos pontos. Espera-se ainda inundação no bairro Ipanema e outras áreas que não têm proteção de diques nas margens. Mais ao Sul da cidade, muitas áreas devem ter graves inundações.

Se o robusto sistema de contenção de cheias (Muro da Mauá e diques) funcionar como foi planejado e à perfeição, o Guaíba não invadirá a cidade. Mesmo assim, pelo refluxo na rede pluvial, é rotineiro em grandes enchentes que ocorram alagamentos nas áreas próximas da Voluntários da Pátria entre o Quarto Distrito e a Rodoviária assim como na região na Praia de Belas (imediações do Tribunal de Justiça).

A muito grave cheia do Guaíba represa o Arroio Feijó, causando inundações na zona Norte e graves em Alvorada assim como represa o Rio Gravataí entre Gravataí e Cachoeirinha, com alagamentos e inundações. Em Canoas, a situação fica crítica porque a cidade sofrerá os efeitos da grande cheia do Guaíba com represamentos dos rios Caí e Sinos, com grandes cheias, em cenário mais perto do evento de 1965, o maior, do que de 2023.

O vento em se tratando do Guaíba é elemento fundamental e que agrega uma margem enorme de possibilidade em termos de prognóstico de pico de cheia. Entre sexta e parte do sábado, quando a maior vazão dos rios contribuintes estiver chegando, se projeta vento Sul que tende a represar as águas na parte Norte da Lagoa dos Patos, agravando a subida da cheia, o que traz muita preocupação.

O vento Sul no Norte da Lagoa dos Patos será moderado e com algumas rajadas. Não é o melhor cenário e, ao contrário, deve agravar a cheia, mas a força do vento tão forte quanto o que soprou nos episódios de 2023, quando por vento forte a intenso de Sul o Guaíba chegou a subir até 30 cm a 40 cm muito rapidamente por influência do vento. No começo da semana que vem, felizmente, com ingresso de ar muito quente e calor, o vento soprará.

Os dois principais rios contribuintes do Guaíba, Jacuí e Taquari, passam por cheias de caráter histórico. Há grande escassez de dados ao longo da bacia do Jacuí, mas o que se tem de informação sugere uma enorme vazão a caminho de Porto Alegre chegando até semana que vem.

Já o Taquari atingiu na tarde desta quinta 33 metros em Estrela, muito acima dos recordes de 1941 e 2023 de 29 metros. As águas do Taquari chegam mais rapidamente à área de Porto Alegre e em explicam em parte a forte elevação de hoje.

Outros três rios desembocam no Guaíba: Caí, Sinos e Gravataí. Os três apresentam cheia. O nível do Caí na noite desta quinta em São Sebastião do Caí estava em 17,46 metros, um dos mais altos da história do município. O Sinos em Campo Bom apresentava 7,80 metros, superando os picos de 2023.

Fonte: MetSul Meteorologia

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